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3º I - Choque de Civilizações
3º I - Choque de Civilizações

"O CHOQUE DECIVILIZAÇÕES", livro do historiador americano Samuel Huntington é um ensaio incisivo e profético sobre a nova ordem mundial. Huntington propõe, neste livro, uma mudança radical do paradigma que vem sendo utilizado para a compreensão da política internacional. A conspiração islâmica e a teoria do choque de civilizações têm sido progressivamente inventadas desde 1990 no sentido de proporcionar ao complexo industrial militar, uma ideologia disponível após o colapso da União Soviética. Bernard Lewis, um especialista britânico sobre o Médio Oriente, Samuel Huntington, um estratégia  americano, e Laurent Murawiec, um consultor francês, foram os principais criadores desta teoria que justifica, nem sempre de um modo lógico, a cruzada dos EUA por petróleo.
Os ataques de 11 de Setembro, atribuídos a uma "conspiração islâmica" pela administração Bush, foram interpretados como a primeira manifestação de um "choque de civilizações", tanto na Europa como nos Estados Unidos.
Assim, o mundo muçulmano-árabe teria empreendido uma guerra contra o mundo judaico-cristão. Não haveria mais nenhuma solução senão a vitória de um sobre o outro: o triunfo do islão e a imposição de um califado mundial (quer dizer, um império islâmico), ou a vitória dos "valores americanos" compartilhados por um islão moderno num mundo globalizado.Durante as primeiras duas guerras mundiais, as coligações militares tiveram que travar combates titânicos. Durante a guerra fria, os combates militares estiveram limitados a áreas periféricas ou a conflitos de baixa intensidade (as guerrilhas), enquanto o confronto central opôs as duas superpotências do ponto de vista ideológico. Durante a IV guerra mundial que acaba de ter início, as batalhas militares clássicas foram substituídas por guerras assimétricas: uma única potência, líder de todos os outros Estados, combate um não-Estado terrorista omnipresente.

A ORIGEM DO CONCEITO
O "choque de civilizações", expressão surgida pela primeira vez em 1990 num artigo do especialista do Médio Oriente, Bernard Lewis, generosamente intitulado "As raízes de raiva muçulmana"  , estabelece a ideia de que o islão não tem nada bom e que a amargura que isso causa entre os muçulmanos transforma-se em raiva contra o Ocidente. Não obstante, a vitória está garantida, assim como a "urbanização" do Médio Oriente e o fortalecimento de Israel.

JERUSALÉM E MECA
A teoria do choque de civilizações cristalizou-se nos aspectos religiosos. O controle judaico-cristão de Jerusalém é um talismã exigido para a vitória global. Se o Ocidente perder a Cidade Santa, perderá também a força para cumprir o seu destino manifesto, a sua missão divina. Da mesma forma, se os muçulmanos perderem o controle de Meca, a sua religião desmoronar-se-á. Claro que isto não tem nada de racional, mas estas superstições estão presentes na imprensa popular americana e fazem parte também de uma forma de discurso político bem-concebido. Choque de civilizações é uma teoria proposta pelo cientista político Samuel P. Huntington segundo a qual as identidades culturais e religiosas dos povos serão a principal fonte de conflito no mundo pós-Guerra Fria.
Segundo ele a humanidade poderia ser dividida em oito civilizações:
Civilização sínica ou chinesa - Seria civilização baseada principalmente na cultura da China e regiões vizinhas e/ou com culturas semelhantes, como Coreia, Vietnã e Tibete.
Civilização nipônica ou japonesa - Seria a civilização centrada na região do Japão, e dessa maneira a única civilização com somente um país, visto que este possui cultura autônoma. No entanto, a Coreia do Sul também tem cultura semelhante, embora por questões políticas éconsiderada sínica. O Japão também possui forte influencia da civilização ocidental.
Civilização hindu - Seriam os países que tem o hinduísmo como religião predominante, principalmente os que se estendem no rio Indo, como a Índia e o Nepal.
Civilização budista - Seria composta pelos países asiáticos na qual o budismo é a religião predominante, como a Mongólia, a Tailândia e a Camboja. O Tibete também pode ser incluído nessa civilização, embora acredita-se que seja sínico por questões políticas.
Civilização islâmica, muçulmana ou árabe - Seria a civilização constituída pelos países que têm o Islã como religião predominante, e que por vezes falam a língua árabe. Localiza-se principalmente na península arábica e norte da África (incluindo também outras partes da África próximas).
Civilização ocidental - Provavelmente seria a maior das civlizações, consiste nos países na América e na Europa ocidental, e outros países que têm o Cristianismo como religião predominante, devido à influência europeia (como África do Sul, Austrália e Nova Zelândia).
Civilização latinoamericana - Seria uma subdivisão da civilização ocidental, constituída pelos países independentes da América Latina que tem uma pequena distinção cultural e social. Embora muitas vezes países e regiões do Cone Sul são considerados como completamente pertencentes ao ocidente.
Civilização ortodoxa - Seria a civilização de países que têm como religião predominante a doutrina ortodoxa do Cristianismo, constituída principalmente pela Rússia e pelo Leste Europeu.
Civilização subsaariana - Seria uma civilização relativamente grande, formada pelos países africanos localizados ao sul do deserto do Saara, predominamentecristãos.
Huntington sustenta que a história da humanidade seria a história dos choques de civilizações que estaria ainda longe de terminar. Esta opinião contrasta com a de Francis Fukuyamaque em seu livro "O Fim da História e o Último Homem" defende que a história atinge sua homeostase com a supremacia do ocidente.
Com a globalização hoje podemos encontrar hindus, confucionistas, ortodoxos, etc. em praticamente todos os países do mundo. De fato, embora as concentrações geográficas sejam evidentes, as civilizações são maiores e mais complicadas do que isso. Em verdade estão espalhadas pelo mundo todo de maneira ideológica e histórica não respeitando muito fronteiras nacionais.
Voltando a Huntington, a Etiópia e o Haiti poderiam ser considerados "estados solitários" assim como o Caribe que constitui uma entidade distinta flutuando entre a civilizações Africana e Latinoamericana. Se os países da América latina, assim como os antigos membros da União Soviética se definirão como parte da civilização ocidental ou autônomos seria uma importante decisão a ser tomada.
As civilizações Ocidental e Islâmica, seriam as únicas com intenções de expansão e pretensões universalistas e por isso encontraram-se constantemente em confrontos e disputas culturais, políticas e ideológicas.
CríticasO artigo de Huntington na ForeignAffairs foi um dos que mais provocaram respostas na história daquela revista. A tese recebeu muitas críticas de paradigmas completamente diferentes, tendo como alvos frequentes as suas implicações, metodologia e mesmo os conceitos básicos. No livro, Huntington baseia-se principalmente em provas circunstanciais. Apesar de suas expectativas, estudos empíricos mais rigorosos não demonstraram nenhum aumento particular na frequência dos conflitos inter -civilizacionais no período pós-Guerra Fria. Na verdade, as guerras e conflitos regionais aumentaram em frequência logo após o término da Guerra Fria, mas declinaram lenta e firmemente desde então. Entretanto, que proporção de conflitos existentes pode ser atribuída a "conflitos intercivilizacionais" e se tais conflitos aumentam em proporção ao conjunto de conflitos são questões em aberto.